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Conhecemos a Fujifilm X10

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É seguro prever que ela fará até mais sucesso que a badalada X100

A Fujifilm sabia que estava criando algo especial com a X100, mas não imaginava que iria agradar tanto assim. A câmera virou febre e gerou imensas filas de compradores no mundo inteiro, mesmo considerando-se sua etiqueta de preço pesada e o fato de que ela não foi criada para iniciantes, mas sim para entusiastas fanáticos e profissionais em busca de um brinquedo lindo. A companhia percebeu que tinha escancarado as portas para toda uma nova categoria de produto, que combina design clássico com ergonomia inteligente e eletrônica supermoderna. Não teve dúvida: criou rapidamente a versão mais “popular” X10, que chega às lojas em novembro.

Conhecemos a X10 na sede da Fujifilm em São Paulo, numa reunião fechada com Masatake Matsumoto, gerente mundial de marketing e vendas de produtos de imagem, e Sergio Takayama, gerente de marketing e vendas para o Brasil. Descontraído e rindo feliz na companhia das suas belas câmeras, Matsumoto-san demonstrou exemplares de pré-produção da X10, em meio a unidades da X100 e de várias outras FinePix, inclusive um mock-up de design de um futuro modelo superzoom, chamado X-S1 e bastante assemelhado à atual HS 20 EXR, que já testamos aqui. 

Além da oportunidade de brincar com a X10, o momento mais saboroso do evento foi a confirmação oficial de que a Fujifilm vai entrar no concorridíssimo segmento das câmeras de lente intercambiável (que já conta com Olympus, Panasonic, Sony, Nikon e Samsung) com um futuro modelo da série X, a ser lançado em fevereiro. Eis a prova!

Você já pode ter lido nos sites nerds um monte de números e especificações, mas o que realmente compete a fotógrafos saberem são as características da lente e do sensor. A objetiva é uma zoom equivalente a 28-112mm (com esses números marcados no barril), e luminosíssima: a abertura máxima é f/2-2.8. O conjunto óptico é muito sofisticado, com 11 elementos em 9 grupos, sendo três elementos asféricos para eliminar as aberrações, e ainda vem com estabilização óptica – 5 elementos móveis combatem tremores e vibrações. Impressionante que caiba tudo isso ali! O sensor é um EXR, projetado e fabricado pela própria Fujifilm, numa dimensão nova que pode causar alguma confusão, exceto se fizermos uma comparação rápida com os fatores de corte dos sensores de outras câmeras:

7,64 = iPhone 4S
5,62 = Quase todas as compactas de bolso
3,93 = Fujifilm X10
2,7 = Nikon CX (V1 e J1)
2 = Micro 4/3 (Panasonic G e Olympus PEN)
1,62 = APS-C Canon
1,52 = APS-C Nikon DX, Sony e Pentax; Fujifilm X100
1 = Full-frame

A Fujifilm X100 utiliza sensor APS-C e sua lente é fixa. É completamente diferente da X10. Ainda assim, o uso das duas é consistente. O desempenho da X10 é claramente diferenciado do das compactas de bolso. A densidade relativamente baixa dos pixels no sensor (são 12MP) contribui para um desempenho de ruído excelente. 

Levamos um cartão de memória próprio e fizemos fotos com um protótipo da X10 na sala de reuniões (clique em cada foto para ver o arquivo original inalterado), usando o modo inteligente automático e sem flash. Note que a versão final da câmera ainda deverá receber ajustes finos na imagem, portanto estas amostras são apenas para dar uma ideia. Mas veja como o ambiente totalmente desfavorável não a intimidou. A câmera escolheu todos os parâmetros adequados, com clara preferência por tempos de obturador bem curtos e aberturas grandes, e ainda fez um certo milagre com os detalhes nas sombras e tons de pele sob a complexa luz mista (fluorescente, halógena, projetor). E nem precisou ir além de ISO 800.

O processador EXR proporciona disparo instantâneo, foco rápido e captura de até 7 fotos por segundo ou vídeo 1080p/30. Impressionante! Uma diferença importante para a X100 é que a X10 utiliza um visor óptico sem EVF integrado. Ainda assim, é um senhor visor, com três lentes asféricas e dois prismas de vidro e ajuste de dioptria para quem tira os óculos ao fofografar. O LCD tem a mesma apresentação visual da X100, incluindo o indicador de nível, um autêntico luxo.

Os protótipos que usamos ontem tinham o acabamento preto liso, mas nas fotos oficiais é uma pintura texturizada. Em termos de pegada e dimensões, a X10 lembra bastante um monumento da fotografia, a clássica Olympus Trip 35. Embora as comparações com a Canon G12 sejam fáceis, a X10 é agradavelmente mais leve e não tem nada da “gordura” da rival. Além disso, não há nenhuma parte de plástico destoando do metal forjado e do couro sintético. Ouçam isso, fabricantes rivais: menos plástico, mais metal!

Devido à lente zoom, não é fácil colocá-la num bolso – mas para que levar no bolso um aparelho tão bonito, que pede para ser levado a tiracolo? A Fujifilm gostaria de fabricar localmente o estojo de couro, que seria um complemento perfeito para a pequenina notável. A lente vem com uma tampa “estilo Leica”, havendo um adaptador opcional da rosca de lente para colocar filtros e um parassol.

Assim como a X100, a X10 tem controles de metal usinado no topo, incluindo o belo controle de compensação de exposição, que jamais deveria ter sido omitido das câmeras compactas, o disparador com rosca cônica para acionamento remoto mecânico, e um seletor de modo que inclui modos completamente automáticos, manuais e “presets” do usuário, além da sapata de flash e do flash embutido que se ergue para fora do corpo quando é acionado. 

Por falar em “presets”, a X10, assim como outras câmeras Fujifilm de luxo, produz simulações convincentes dos filmes Velvia, Provia e Astia. Ponha em modo Velvia numa cena exterior com céu azul, subexponha 2/3 de ponto e nenhum veterano vai duvidar que a foto foi feita em cromo, nos velhos bons tempos do filme.

O único ponto controverso é o controle direcional traseiro, que parece ser o mesmo horrível controle usado na X100, mas no nosso “test drive” ele se comportou bem, talvez por ter a pressão dos botões bem melhor calibrada, em parte também porque nos acostumamos a ele na X100. Seja como for, depois de fazer os ajustes pessoais no menu a necessidade de usar os botões é bem restrita.

Mas deixei o melhor para o final. Como é que se liga a máquina? Girando o zoom da lente! A decisão de usar zoom manual e não motorizado já conta muito a favor da Fujifilm, mas incluir a posição desligada no giro da lente é tão elegante e natural que provavelmente ainda vai ser copiado em câmeras de outras marcas.

A X10 estará disponível nas lojas e boutiques de eletrônica do país no final de novembro, a um preço inicial sugerido de R$ 3 mil (lá fora sairá por US$ 800). Não é barata, mas tem todo o jeito de algo feito para durar muito, exatamente como as câmeras de filme que a inspiraram. Aguarde para breve um teste prático da X10 aqui nas nossas páginas.

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