Tudo Sobre Fotografia

Hands-on: Canon EOS-1D X

4

Uma câmera para a todas comandar… Conheça as suas numerosas novidades.

Canonzeiro, prepare o coração. A EOS-1D só vai chegar oficialmente às mãos dos compradores em março do ano que vem, mas já chegou à filial da empresa no Brasil um protótipo da nova câmera “flagship” – termo que designa lá fora aquilo que chamamos por aqui de “carro-chefe”. E agora contamos – com exclusividade absoluta em toda a imprensa brasileira! – o que descobrimos sobre ela no nosso primeiro contato com a nova supermáquina da gigante japonesa.

A EOS-1D X possui um sensor CMOS full-frame de 18MP, que alguns acharão pouco, mas a aposta aqui é num rendimento em sensibilidade ISO completamente inédito, podendo ser estendido a ISO 200 mil (onze pontos mais rápido que o ISO base de 100) e com uma velocidade de captura contínua que faz pensar mais em uma arma de fogo do que em uma câmera: incríveis 14 imagens por segundo com foco prefixado e espelho erguido, ou ainda incríveis 12 com foco servo contínuo e espelho móvel (abaixo). 

Parte dessa velocidade deve-se a um design mecânico refinado; outra parte deve-se ao uso de dois processadores DIGIC 5+, capazes de alimentar o cartão de memória à taxa de 167 MB/segundo. Você já tem um cartão com essa especificação? Claro que não, ele ainda não existe.

Infelizmente, por se tratar de um exemplar de pré-produção, embora na aparência ela não seja em nada diferente do provável modelo final, a parte eletrônica ainda está em fase de ajustes e não pode ser considerada para fins de avaliação da câmera. Traduzindo: por enquanto, nada de amostras de fotos! Teremos de esperar uma versão final da máquina para vê-las.Você vai ter que acreditar em meu testemunho de que o ISO 12800 da EOS-1D X parece ter um ruído comparável ao ISO 3200 da 7D ou ao 1600 da 5D… Ou seja, ela entra firme no território que até agora era explorado unicamente pela rival Nikon 3DS, uma câmera criada com a intenção expressa de “enxergar” no escuro. Imagine as possibilidades que se abrem com a Canon EOS-1D X para capturas noturnas e fotografia de esportes de alta velocidade usando lentes muito longas, e tudo com uma resolução razoavelmente mais alta que a Nikon. Diz a Canon que esse avanço incrível no ISO se deve ao novo design das microlentes do sensor, que não desperdiça espaço entre os pixels vizinhos.

A ergonomia fundamental da EOS-1D X é a mesma de todas as Canon EOS-1 antecessoras remontando à era do filme, o que significa que o aprendizado das novas funções será relativamente suave para quem já usa Canon. Mas ela possui truques novos por toda parte. Não há nenhum ponto dela que seja exatamente igual às antecessoras. De cara, nota-se que ela possui um prisma maior (com tela de focalização intercambiável), um visor ocular com LCD integrado similar ao da EOS 7D e vários novos botões de funções duplicados para fotografar na orientação vertical. Uma mudança cosmética é o nome Canon bordado em dourado na alça, que é feita de um novo material mais macio para maior conforto.

A reformulação no painel traseiro segue de perto o visto na 7D, um botão de Live View sem o anel seletor do modo de vídeo – a gravação pode ser iniciada pelo próprio disparador – e um novo formato tátil para os joysticks, que agora são dois, um para uso na horizontal e outro para a vertical. De forma geral a Canon preocupou-se em tornar a câmera mais usável sem a necessidade de ler as legendas dos botões; por isso vários deles têm formato diferenciado, como o ISO no topo, o AF-ON atrás e o botão de função superior na frente. 

O botão Q, que dá acesso ao menu rápido, está inteligentemente colocado bem ao lado da roda de comando traseira. A chave On/Lock/Off está onde seria de esperar, mas é possível ajustar nas preferências da câmera exatamente o que será travado – ou não – por essa chave.

Do lado direito temos um par de slots CF (não um CF e um SDHC como nas EOS-1 atuais) e do lado esquerdo um conjunto de conectores ampliado, incluindo o conector para adaptador Wi-Fi externo e unidade de GPS, mais um conector tradicional de Ethernet para rede com fio, que permitirá truques avançados como o tethering e controle remoto de múltiplas câmeras simultaneamente. A bateria não será a mesma das EOS-1 atuais, e sim um modelo novo de maior capacidade.

Novas funções no menu

O que será descrito a partir daqui poderá sofrer alterações até que a câmera entre em produção, mas tudo o que vimos já tinha uma cara de “final”, muito bem definida. Em vez da fileira de menus paginados que conhecemos atualmente, os menus da EOS-1D X (e certamente das próximas EOS a partir dela) são organizados por tema básico e sob cada tema vão as páginas em si. Isso permitiu manter a variedade enciclopédica de opções sem deixar que elas parecessem ainda mais complicadas.

A tela de ajustes imediatos pode ser acionada diretamente pelo botão Q, como na 7D, mas o novo (e excelente!) LCD de 1,04 milhão de pontos segue a proporção 3:2 do sensor e abre um pouco de espaço vazio à direita, ocupado verticalmente pelo indicador do fotômetro, como na EOS-1D anteriores. 

Eis o novo sistema de menu, dividido em seis tópicos, cada qual subdividido em páginas representadas pelos quadrados coloridos. A opção selecionada aqui é a de salvar todos os seus ajustes pessoais no cartão de memória.

A tela de estado do sistema permite conferir o número de série, a versão do firmware e a quantidade de cliques (release cycles), informação que até agora não tinha uma maneira simples de ser consultada pelo usuário. Também ficam registrados todas as mensagens de erro na função Status Log.

Eis a tela que todo mundo queria ver: a lista completa de opções de ISO, incluindo a gama estendida de 50 até 204.800. São 12 pontos de diferença entre um extremo e o outro, um a mais que na EOS-1Ds Mark IV. 

A tela de ajuste de compensação de exposição e bracketing, idêntica à da 7D, já mostra a que veio a câmera. A gama de ajuste é extremamente ampla. 

A opção de ISO automático oferece o ajuste da faixa de ISO desejada e o tempo de obturador mais longo permitido, de forma similar às Nikons. Outro aperfeiçoamento é a opção de desligar o Auto Lighting Optimizer para fotos feitas em exposição manual. Quem utiliza os Picture Styles vai gostar de saber que  agora existe um útil modo Auto. Também houve aperfeiçoamentos no balanço de branco, visando maior consistência entre fotos consecutivas feitas com a mesma luz.

A correção automática de aberrações de lentes, que utiliza um banco de dados embutido, corrige dois parâmetros da lente: iluminação periférica (vinhetamento) e aberração cromática. E faz isso em tempo real durante a captura de vídeo!

Uma nova possibilidade criativa abre-se com as novas opções de exposição múltipla, permitindo combinar até nove exposições diferentes numa única imagem, utilizando métodos de mesclagem familiares para quem conhece as camadas do Photoshop – adição, subtração, Overlay etc. É possível salvar as imagens componentes junto com a final.

O sistema de foco, que foi alvo de críticas em versões anteriores da EOS-1D, sofreu modificações consideráveis. Quem já experimentou a EOS 7D sabe o que pode esperar, mas a EOS-1D X vai além e implementa uma matriz de nada menos que 61 pontos de foco, sendo 41 em cruz e cinco duplos para maior precisão. A Canon diz que a EOS-1D X consegue focalizar com uma lente a f/2.8 num nível de iluminação de EV -1, que corresponde à luz da Lua cheia.

O recurso mais notável na configuração de foco é a possibilidade de ajustar seu comportamento no modo de foco com rastreamento do sujeito (tracking): a sensibilidade, a velocidade de resposta e a propensão a mudar de ponto de foco são individualmente ajustáveis. Os ícones de esportes buscam dar uma noção da característica de movimento à qual é adequada cada combinação de parâmetros. O tracking leva em consideração se você está efetuando “panning”graças aos sensores giroscópicos internos, presentes na câmera e também nas lentes superteles profissionais da Canon.

A Canon avisa que o sensor de fotometria é um novo tipo de 252 zonas com detecção de cor e capacidade de detectar rostos. Assim, os critérios de seleção dos pontos de foco podem também incluir a informação da cor do assunto desejado – por exemplo, um ciclista com determinada cor de uniforme no meio do pelotão – ou simplesmente seguir o rosto detectado de uma pessoa no quadro, um truque aprendido das câmeras compactas.

Novidades em vídeo

Deixamos para o final as funções de vídeo. Tem muita novidade neste campo! Naturalmente a EOS-1D pode gravar em Full HD (1080p) a 30 ou 24 quadros por segundo ou 720p a 60 quadros, mas há opções adicionais para esses ajustes comuns. O codec utilizado para codificar o vídeo continua a ser o H.264, mas agora há duas sub-opções: IPB e ALL-I. A opção IPB é similar à IPP, utilizada nas câmeras EOS anteriores: os quadros são armazenados em grupos compostos de quadros de referência (keyframes) e informações adicionais que são usadas para reconstruir os quadros subsequentes. O novo método ALL-I significa “tudo intracodificado”, isto é, cada um dos quadros é um quadro de referência contendo a informação completa. O arquivo de vídeo resultante é três vezes maior que o capturado em IPB, porém o fato de que cada quadro é autocontido significa que não é necessário pré-renderizar o vídeo para editá-lo no computador, além de não haver perda de qualidade individual nos quadros que não são keyframes ao editar. 

Por fim, a EOS-1D pode gravar até 29’59” de tempo por tomada de vídeo e, de acordo com a Canon, o método de extração de dados do sensor agora faz uma descarga simultânea de todos os pixels, resolvendo de uma só vez dois problemas: a geração de moiré (figuras de interferência) e o efeito “rolling shutter” (deformações visíveis em objetos atravessando a cena ou durante pans rápidos).

Já podemos ouvir antecipadamente o clamor dos numerosos fãs da EOS 5D Mark II exigindo os mesmos recursos em sua sucessora, é claro. Eles certamente prosseguirão a verdadeira revolução que foi iniciada pela introdução do vídeo em sensor full-frame com a 5D entre cinegrafistas e produtoras comerciais, os quais adotaram essa câmera em massa, mesmo precisando aprender a contornar suas limitações iniciais.

Mais um recurso essencial para videastas: agora a tomada de vídeo inclui o timecode padrão SMPTE, podendo ser automático ou pré-programado. A câmera pode ser programada para trabalhar com “drop frames” a fim de manter correta a contagem de quadros capturados.

Surpresa final: durante a captura de vídeo, é possível monitorar e ajustar em tempo real o ganho do microfone e a exposição, simplesmente tocando com os dedos na roda de controle traseira, sem movê-la! A roda contém quatro pontos direcionais em cruz que são sensíveis ao toque – sem qualquer indicação visual disso – e permitem governar as funções sobrepostas à imagem ao vivo sem gerar qualquer ruído no corpo. Eis aí um recurso completamente surpreendente numa DSLR Canon.

A EOS-1 X traz um novo obturador de fibra de carbono que é certificado para 400 mil disparos, 100 a mais que a EOS-1Ds atual. O tempo de latência (lag)especificado é de 55ms em uso normal e de no mínimo 36ms com a preferência de disparo veloz acionada – mais rápido que qualquer outra DSLR atual, segundo a Canon.

Conclusão

Há exatamente 10 anos a Canon apresentou a sua EOS-1D, primeira “flagship” digital baseada no modelo de filme EOS-1V. A EOS-1D X é o décimo modelo da linhagem, mas certamente o uso da letra X evoca muitas outras interpretações: eXperiência, eXtrema e assim por diante. E, não menos importante, X no sentido de “crossover”, porque ela é a fusão em um só corpo das características das atuais duas “flagships” da Canon: a EOS-1Ds Mark III (full-frame) e a EOS-1D Mark IV (alta velocidade) – tudo isso somado à captação de vídeo, atrativo fundamental na EOS 5D, e aos novos modos de autofoco que estraram na EOS 7D. Que venha o lançamento em março de 2012!

Agradecimento especial a Victor Marim e ao mestre Marcel Gallo (foto), gurus de câmeras EOS da Canon do Brasil.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.